Quem anda de mota nesta zona conhece o cenário: a mota parada à porta de casa ou junto à praia, sol em cima o dia inteiro, e vento do mar. Passado um ano começam a aparecer uns pontos brancos nas jantes e nos suportes que não saem com lavagem nenhuma. Não é sujidade, é corrosão.
Porque é que o alumínio é o primeiro a ceder
O alumínio forma naturalmente uma camada de óxido à superfície que o protege. É por isso que uma peça de alumínio não enferruja como o ferro. O problema é que essa camada é fina e o sal ataca-a.
Quando o sal quebra a proteção num ponto minúsculo, começa ali corrosão localizada. É isso a picada branca: uma cratera microscópica que vai aprofundando. E ao contrário da ferrugem, que se vê de longe, esta trabalha em silêncio até estar generalizada.
Numa mota, as peças de alumínio à vista são muitas: jantes de liga, suportes, tampas de motor, manetes, bases de espelho. Todas expostas, nenhuma protegida por chapa.
O sol trata do resto
Enquanto o sal ataca o metal, a radiação ultravioleta ataca tudo o resto. Os plásticos não pintados desbotam e ganham aquele tom acinzentado. O assento, que é pele sintética, endurece e acaba por rachar nas costuras, quase sempre no mesmo sítio. As carenagens pintadas perdem profundidade de cor, sobretudo em vermelhos e pretos.
Uma mota que dorme na rua junto à Costa acumula em dois anos o desgaste que uma mota de garagem no interior do concelho leva seis a apanhar.
Lavar com água doce vale mais do que parece
A medida mais eficaz é também a mais barata: passar a mota por água doce com frequência, sobretudo depois de dias de vento forte de oeste. Não é preciso lavagem completa, basta enxaguar para tirar o sal antes de ele ter tempo de trabalhar.
O que não deve fazer é usar a máquina de pressão apontada aos rolamentos de direção, aos rolamentos das rodas, à corrente ou às fichas elétricas. A água entra, expulsa a massa lubrificante e fica lá dentro. É o estrago mais caro que se pode causar a uma mota, e só dá sinal dois anos depois.
Proteger o metal é o que trava o ciclo
Depois de limpo, o alumínio pode levar um selante ou coating que funciona como camada de sacrifício entre o sal e o metal. Não é imunidade, mas muda a escala do problema.
Nos cromados a lógica é a mesma, com produto próprio, e é aí que a mota ganha outro aspeto. Nas carenagens pintadas, uma proteção por cima faz com que os insetos e o sal deixem de agarrar diretamente à tinta, e a lavagem seguinte passa a ser um quarto do trabalho.
O assento leva limpeza e hidratação com proteção contra ultravioleta, que é o que evita a racha antes de ela existir. Depois de rachado não há produto que resolva.
Se as picadas já lá estão
Enquanto forem superficiais, atenuam-se bem com polimento do alumínio e a peça fica protegida a seguir. Quando a corrosão já entrou fundo, o polimento melhora o aspeto mas não devolve o material que se perdeu.
Como em quase tudo o que envolve pintura e metal, a diferença entre um trabalho barato e um trabalho caro é o tempo que se deixou passar.
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